REVISTA MUSILAB

CRISTIANA POMPEO

DESABAFO DE UMA CANTORA, COMPOSITORA, ATRIZ... 
Por Cristiana Pompeo

Sou  cantora e compositora, além de atriz, mas aí é outro assunto... e só vejo duas soluções para se conduzir um trabalho autoral: Ou se auto-produzir ou encontrar alguém que te produza e (ou) “apadrinhe”. Mesmo assim não há garantias. O mercado fonográfico vem mudando. Quanto mais autonomia se tem, mais os selos se interessam em distribuir estes produtos que estão prontos. Há anos atrás as gravadoras “descobriam” certos artistas “crus” e cuidavam de seus discos, imagens, carreiras e  desempenhavam o papel do empresário. Hoje não há fórmulas, garantias, receitas. Só o que não mudou é a realidade de que existe “jabá” e que certos artistas “apadrinhados” , ou seja, filhos de alguém conhecido, sobrinhos, aparentados, agregados ou algo do gênero, despertam maior interesse da mídia e acabam por isso tenho entrada no mercado, o que também não garante uma futura manutenção de suas carreiras.

            O que me desanima pessoalmente, já que não me encaixo no grupo dos “apadrinhados” é que eu , como qualquer outro artista solo que possua um trabalho autoral, parece que tem que ter nascido em “berço esplêndido” e ter condições financeiras suficientes para produzir seu disco, divulgá-lo, correr atrás de marcar shows, de divulgação, de site...enfim, de tudo aquilo que caracteriza a concretização de um projeto artístico, nesse caso um cd. Depois de tê-lo produzido ainda há outra etapa, que é a de se conseguir um selo para distribuí-lo. Enfim, é um caminho árduo e fica muito solitário e caro mesmo (não há outra palavra melhor) isso tudo. Devido a isso tudo, eu que sou apenas mais um exemplo entre tantos infelizmente tornando-me estatística, fico muito triste quando sei que tenho um produto original , criativo e bom nas mãos. Fico triste quando sei que criar através de vários canais da arte, inclusive da música, é minha verdadeira vocação. Esse texto não tem por objetivo chegar a conclusão alguma, é apenas uma análise da situação atual, ao menos pelo meu ponto de vista e um desabafo de uma artista incansável. Conheço muitos outros que passam pelas mesmas dificuldades (a grande maioria, já que é para uma minoria privilegiada o reconhecimento artístico nesse país) e acabam questionando até a própria vocação, desviando de seus objetivos primordiais e eventualmente abandonando a verdadeira vocação.  É uma pena, mas por agora eu continuarei persistindo nas artes (música, teatro, literatura) talvez porque as artes persistam também em mim. Acho que alguma hora uma das duas vence, por bem ou por mal.
 

 
 
 
   
 
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